Jornalismo de Moda

O jornalismo de moda no Brasil é uma das segmentações editoriais mais específicas embora seja tratado como um “jornalismo secundário”3 pelo mercado e pela academia. No campo acadêmico, ainda são raros os trabalhos que percebem o jornalismo de moda para além de sua materialização por meio de revistas, jornais, sites, blogs ou aplicativos. A partir dessa constatação, propomos no presente artigo compreender essa especialidade jornalística ao aproximar o jornalismo e a moda. O objetivo é apontar argumentos no cruzamento das áreas para sugerir uma maneira inédita de relacioná-las.
Jornalismo e moda são análogos quanto à forma e movimentos e o próprio jornalismo de moda sugere ser uma de suas manifestações mais legítimas. Concordamos com os autores da área quando destacam a importância da imprensa para a propagação da moda. Para Dario Caldas (1999), a máxima de que a imprensa representa um quarto poder ganha uma nova acepção na moda: “(…) a mídia é o “primeiro poder”, tal a força institucional e a capacidade de determinar as tendências dos grandes meios de comunicação”. (CALDAS, 1999, p. 25).
Alguns estudiosos ainda depositam grande responsabilidade na forma cíclica em que a moda do vestuário se estabeleceu. Para Joan DeJean (2010), essa relação veio já no primeiro veículo jornalístico que se propôs a condicionar a mudança periódica na moda – Le Mercure Galant. Segundo a autora, o jornalista Donneau de Visé foi o pioneiro em discutir na imprensa conceitos básicos para o funcionamento da indústria da moda. O destaque foi conceber a noção de que a moda dividia-se em estações. Já em janeiro de 1678, na França, a estreia do suplemento de moda anunciou que periodicamente, a cada estação, seria publicado todas as informações de moda relativas à próxima estação climática (DEJEAN, 2010).

Fonte: https://portalintercom.org.br/anais/nacional2016/resumos/R11-0679-1.pdf

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